sexta-feira, abril 20

Canção das Mulheres

 
Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.

Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.

Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.

Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.

Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.

Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.

(Lya Luft)
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se  algum dia,  por descuido ou fantasia,   você se apaixona por um  demônio,  não se iluda, o demônio não muda, será sempre diabo, ainda que esconda  o chifre e o  rabo.

mas você nunca mais será a mesma

 certeza!
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terça-feira, abril 17

Blogagem coletiva

 
Os textos a seguir fazem parte da Blogagem Coletiva Amor aos Pedaços, estamos na segunda fase. Na primeira fase falamos de Encantamento, agora falaremos de Desencanto. No próximo dia 15 falaremos de outra tema.
Tony A vida é um sem-cessar de encantos e desencantos. Isto pode se dar na vida profissional, na vida espiritual ou amorosa. Creio que no amor especificamente, os desencantos se dão, na maioria das vezes, justamente pelo fato da consumação da conquista, do encanto. Do pós-conquista mais precisamente. Meio paradoxal, não é mesmo? Mas, um dos grandes inimigos do “amor eterno” é o “já ganhei!”, “tá no papo!”.
Após se dar o encantamento, os “encantados”, fincam a suas bandeiras no território e bradam um “tá comigo, já é minha”, ou “já é meu, ninguém tasca”. Nessa de “já é meu”, relaxam. E é aí que mora o desencanto! Você é eternamente responsável por aquele que cativa (Sanz Exupéry). Esquecer que a conquista precisa ser confirmada sempre, que o território precisa ser reconquistado a cada dia, é fatal.
Se não houver esse reforço constante, ela, ou ele, se encantará com filhos, com os estudos, com um novo emprego, com a profissão, com uma nova religião, ou até mesmo com um novo amor. Não quero dizer que todas essas coisas não sejam importantes na vida, mas sim, que elas não podem servir de fuga à motivação maior que um dia uniu os dois: o amor, o encantamento. É como você querer conduzir uma criança pela mão através de um corredor de supermercado, onde, de um lado há muitos brinquedos e do outro, muitos doces. Se você não tiver bons argumentos lúdicos para mantê-la na rota, ela não chegará até o final do corredor com você. Vai fazer pirraça, parar no meio do caminho e, provavelmente, querer provar dos doces ou brincar com alguma “novidade”.
Essa questão do desencanto me lembra do filme “Como se fosse a primeira vez”, de Peter Segal, com Adam Sandler e Drew Barrymore. Vi várias vezes e sempre dou uma olhadinha quando reapresentado. Tendo como cenário o Havaí, o filme é classificado como comédia romântica, mas é pura poesia.
Henry (Adam) apaixona-se perdidamente por Lucy (Drew). Porém há um problema: Lucy sofre de falta de memória de curto prazo, ou seja, ela esquece rapidamente os fatos que acabaram de acontecer. Com isso, Henry é obrigado a conquistá-la, dia após dia, para ficar ao seu lado.
Poético, utópico? Mas amor é isso! A flechada do Cupido tem efeito de curta duração. Temos que tomar flechadas diárias, senão, desencanta!
Lugirão
No dia do seu aniversário chegou pelo correio um envelope azul, tinha como remetente uma universidade, que mais tarde ao pesquisar descobriu que não existia, nem nunca existiu. Dentro do envelope tinha uma semente e uma espécie de manual que dizia: essa é uma semente muito especial, plante-a, cuide dela e ela lhe dará sombra, flores e frutos.
Não esqueça você ela tem que ser podada sempre que necessário, ser adubada, principalmente regada. Não esqueça de cumprir essas exigências.
Embora tenha achado estranho, fez o que devia plantou a semente num vaso e para sua surpresa ela cresceu muito rápido, tendo que ser transplantada para o jardim, onde cresceu, floresceu e frutificou em tempo recorde.
Se transformou numa árvore frondosa, com uma bela sombra, todos os dias sentava embaixo da árvore, sentia o perfume de suas flores, comia dos seus frutos, a árvore atraia muitos pássaros, e como se sentia feliz só em sentir o perfume das suas flores, que não importava a estação estavam lá , assim como seus frutos. Só podia ser mágica.
Com o tempo foi relaxando, não podava, pouco adubava, até regava com menos frequência, afinal ela estava sempre tão verde, florida e cheia de frutos. Um dia ao acordar e olhar pela janela como sempre fazia, sua bela árvore tinha virado um monte de galhos ressequidos.
As exigências deixaram de ser cumpridas, e a magia sucumbiu.
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Assim é o desencanto, ele vai se instalando aos poucos, principalmente no amor, que como uma plantinha que tem que ser cuidada com muito carinho, para criar raízes fortes para ser sustentada, florescer e frutificar, não podemos descuidar senão ervas daninhas, pragas, vão matá-la.
O amor é a razão maior para a vida, acredito que nascemos e vivemos para aprender a amar, esse é o sentido da vida. Amar os pais, irmãos, filhos, amigos, e o amor romântico que permite que aconteçam os outros tipos de amores, esse é o mais importante, por isso o encantamento. O desencanto acontece principalmente por desatenção. Amar e ser amado é a maior dádiva que recebemos em vida, pena que tolos que somos, na grande maioria das vezes nem o percebemos. Feliz aquele que viu o encantamento, viveu, e cuidou para que o desencanto não se instalasse. Afinal já nos basta o desencanto com a nossa sociedade. Que no amor continuemos encantados.
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A música Gota D'água, fala de desencanto.
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